A importância das medidas ESG no contexto empresarial
Relevância, Regulamentos e Benefícios
A crescente preocupação com a sustentabilidade tem impulsionado uma mudança significativa na forma como as empresas gerem os seus negócios. O conceito ESG tornou-se um elemento estratégico para a gestão corporativa, exigindo uma atuação mais responsável, transparente e alinhada com as normas internacionais.
Nesta entrevista, Inês Rego, Business Unit Manager - Sustentabilidade da Kiwa Portugal, aborda a relevância das medidas ESG nas empresas, o motor regulamentar e os benefícios para as empresas associados à implementação dessas medidas.
O que é o ESG e por que é tão importante no contexto atual?
ESG é a sigla para Environmental, Social and Governance e é cada vez mais tida em consideração nos momentos de decisão. Estes três pilares representam uma abordagem prática e mensurável para que empresas incorporem a sustentabilidade. A adoção de práticas ESG, para ter um impacto considerável, exige o equilíbrio entre os três pilares. Na prática, isso traduz-se, por exemplo, na gestão das emissões de gases com efeito de estufa, na promoção da inclusão e do bem-estar dos colaboradores, e na adoção de políticas anticorrupção e transparência organizacional.
Por que razão estão as empresas a adotar práticas ESG?
Primeiro, porque a legislação europeia está cada vez mais exigente. Com normas como a CSRD, a CSDDD e o regulamento da Taxonomia, as empresas abrangidas devem integrar a sustentabilidade na sua gestão e reportar a informação não financeira de forma estruturada e transparente.
Outro motivo que está a impulsionar as empresas é a necessidade de quantificar e avaliar de forma objetiva o desempenho das suas operações. Por exemplo, torna-se difícil para uma empresa reduzir as suas emissões se não quantificar o seu cenário atual, nem tiver dados concretos para desenvolver um plano de mitigação.
Adicionalmente, o mercado exige cada vez mais indicadores mensuráveis e as respetivas evidências. Quando uma empresa comunica as suas práticas ESG de forma clara e transparente, aumenta a confiança, credibilidade por parte dos seus stakeholders e contribui, assim, para o combate do greenwashing, um problema com grande impacto neste âmbito.
Quais as vantagens práticas da adoção de medidas ESG?
A implementação de medidas ESG nas empresas pode traduzir-se em oportunidades de crescimento e valorização para as empresas. Existem diversas vantagens que resultam dessa implementação, como por exemplo, a otimização de recursos, processos e outras operações, e, consequentemente, a redução de custos. Existe ainda impacto na atração e retenção de talento, visto que os profissionais optam, cada vez mais, por empresas que respeitam o ambiente, garantem as condições de trabalho e comunicam de forma transparente.
Atualmente, os consumidores e os investidores estão mais sensibilizados para esta temática e valorizam empresas transparentes e sustentáveis, o que faz com que estas medidas sejam um fator claro de diferenciação no mercado.
É importante referir também que, ao adotar um pensamento estratégico e sustentável baseado na melhoria contínua e na otimização dos processos, abre-se espaço para evoluir, automatizar e modernizar. O que faz com que não possamos dissociar o ESG, da inovação e da digitalização.
O que as empresas devem ter em conta antes de iniciarem um processo de certificação?
O primeiro passo que devem ter em conta, seja para se preparem para um processo de certificação, seja para iniciarem o seu caminho com um foco mais sustentável, é recolher e organizar bem a informação e os dados, que é por norma a fase mais desafiante. É preciso perceber que dados vão ser necessários para cálculos como a Pegada de Carbono ou a Avaliação do Ciclo de Vida dos produtos.
É também importante envolver as equipas, promover formação e garantir que todos participam no processo porque a sustentabilidade tal como outras temáticas necessita da intervenção de todos os intervenientes de uma empresa. Outro passo possível é procurar entidades capazes de dar suporte técnico no processo.
Que tipo de documento normativos estão a surgir no âmbito da sustentabilidade?
Nos últimos anos, temos assistido a uma avalanche regulamentar, transversal a praticamente todos os setores. Um dos motores para a mudança tem sido o Pacto Ecológico Europeu – Green Deal que tem como objetivo promover um crescimento económico dissociado da utilização de recursos e zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa até 2050.
No seguimento do Green Deal têm surgido diversos documentos como a CSRD, em que exige que as grandes empresas reportem de forma clara e transparente a sua informação, não financeira. Não podíamos falar de sustentabilidade sem falarmos também da CSDDD, que é uma evidência do compromisso mais amplo da UE com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social corporativa; ou da Taxonomia que permite que as empresas partilhem uma definição comum de atividades económicas que podem ser consideradas sustentáveis do ponto de vista ambiental.
E mais recentemente surgiu o Omnibus Package, que vem simplificar e adiar alguns requisitos estabelecidas nessas diretivas. Este surgiu em resposta a preocupações crescentes sobre a complexidade e o peso das obrigações regulatórias em matéria de sustentabilidade, que poderiam comprometer a competitividade das empresas europeias.
Além da legislação geral, existem exigências específicas para determinados setores?
Sim. É exemplo o Novo Regulamento dos Produtos de Construção, que entrou em vigor em janeiro, com uma aplicabilidade faseada e reforça significativamente os requisitos de sustentabilidade no setor da construção.
O novo regulamento trouxe algumas novidades, como a necessidade da Declaração de Conformidade e Desempenho, que alia informações técnicas, de segurança e qualidade do produto, a uma nova componente ambiental. Para isso, é realizada uma Avaliação do Ciclo de Vida do produto e calculados os impactes ambientais desde a extração das matérias-primas até ao fim de vida. Tendo isto como base, é elaborada uma Declaração Ambiental do Produto, com os impactes calculados.
Um dos objetivos do Novo Regulamento é apresentar a informação em formato digital, de modo que os produtos sejam comparáveis entre si. Isto vai ajudar os profissionais a selecionarem as opções mais sustentáveis ou mais adequadas ao projeto. Surge, também, o Passaporte Digital de Produto de produtos de construção, com objetivo de tornar o setor mais transparente, sustentável e eficiente.
Como é que a Kiwa está preparada para ajudar as empresas a adaptarem-se a estas novas exigências?
No caso do Novo Regulamento, o Grupo Kiwa dispõe de um software interno. O R<THiNK, permite-nos fazer o cálculo de diversos impactes ambientais, que servem como base na elaboração das Declarações Ambientais de Produto (DAP) ou no cálculo de Pegadas de Carbono dos produtos.
Neste caso, nós conseguimos, numa só empresa, dar resposta a todas as etapas do processo, desde a recolha de dados, ACV, DAP até à verificação, feita por uma entidade independente.
Estamos a trabalhar para nos tornarmos um organismo notificado no âmbito do ASV3+, que é uma nova exigência resultante da entrada em vigor do Novo Regulamento.
Em termos de serviços de Sustentabilidade, conseguimos dar resposta a muitos âmbitos. Seja na Avaliação de Ciclo de Vida, no cálculo da Pegada de Carbono, certificações, relatórios de sustentabilidade, entre outros serviços, temos uma equipa com grande expertise internacional, que está sempre a par das novas legislações e trabalha diariamente para dar resposta a estas necessidades que surgem de exigências regulamentares ou do próprio dinamismo do mercado.
Na Kiwa, reconhecemos que a sustentabilidade é um processo contínuo de evolução e melhoria. Por isso, disponibilizamos com confiança um serviço completo e integrado, preparado para responder a estes desafios.
